Quando Carla e eu entramos naquele voo saindo de Kuala Lumpur para Chiang Mai, no norte da Tailândia, não tínhamos muita ideia do que esperar. O que encontramos? Um dos melhores dias de nossas vidas!

Chiang Mai faz parte do circuito dos mochileiros há um tempo, não como um destino de festa como Phuket, mas como um centro de ecoturismo e um ponto mais tranquilo.

No nosso primeiro dia, alugamos bicicletas para dar uma volta pela cidade e conhecer os templos. Havia muitas opções ali do lado de nossa acomodação (Queen Victoria guest house, no andar de cima de um restaurante), e conseguimos encontrar umas bicicletas bem velhas, super divertidas.

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Visitamos alguns templos, mas notamos que, a essa altura do campeonato, já estávamos um pouco cansados de todo o ritual de cobrir as pernas e os ombros, tirar os sapatos e ajoelhar na frente de uma imagem que, apesar de toda a admiração que passamos a ter pelo budismo (eu levei um livro que explica tudo, então entravamos nos templos e meio que sabíamos o que estava rolando ali), não era a nossa religião. Mas eles são lindos, de qualquer forma.

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Um templo, no entanto, foi diferente dos demais. Nos templos de Chiang Mai, diferentemente dos de Bangkok, é comum haver estátuas dos monges importantes. Neste templo, em meio às estatuas, havia um monge meditando.

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Nós ficamos admirados com a concentração dele diante das pessoas que tiravam fotos e faziam reverencia a ele, que não movia um músculo, mas ficava de olhos abertos, num nível de meditação tão profundo. Admirável!

A Carla, curiosa que é, resolveu perguntar a outra turista quem ele era, e recebeu a seguinte resposta: "ele é um monge que está morto há três anos!

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Opa! Como assim?!? O cara está ali, em posição de meditação, morto há três anos!!!!! E sem sinal nenhum de decomposição!!!!! Isso sim é admirável!!!!

Depois descobrimos que, na verdade, o monge não era um monge, mas uma estátua em fibra de vidro que é tão realista que faz as peças do museu de cera de Madame Tussauds parecer trabalhos de quarta série!

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Chiang Mai é uma cidade muito aprazível, gostosa de passar o dia de bicicleta, mas queríamos emoções mais fortes. Dentre as muitas opções de passeios que há (arvorismo, cachoeiras etc.), escolhemos passar o dia num abrigo de elefantes! Melhor decisão das nossas vidas!!!!

Fomos para o Woody Elephant Training, um lugar recomendado pelo agente de turismo pelo fato de que lá os elefantes são realmente bem tratados (há diversos "santuários" de elefantes e tigre na Tailândia que recebem muitas denúncias de maus tratos contra os animais.

Eles viram nos pegar no hotel às 8 e meia da manhã. Com mais uns doze gringos de todas a partes do mundo, escutamos do Woody as razões pelas quais ele tem esse abrigo: dinheiro. É que os elefantes comem 300kg de comida por dia (!?!?!?) e sem as visitas dos turistas, ele talvez não conseguisse manter os 9 elefantes que ele possui (provavelmente nem o iPhone que ele tem).

Os elefantes são normalmente comprados de circos e madeireiras (que os usam para derrubar árvores), onde normalmente são submetidos a alguma forma de maus tratos e trabalho excessivo. A reintrodução dos elegantes na natureza é praticamente impossível, seja pela falta de habitat natural, seja pelo fato de eles estarem já muito acostumados com os seres humanos, então a interação com os turistas acaba sendo uma das melhores opções para os bichinhos.

Nosso dia com os elefantes incluiu alimentá-los, recolher as gigantescas bolotas de fezes, banho, uma nadada em um lago e lições básicas de como "pilotar" os elefantes.

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Em algumas fotos e vídeos, Vocês verão que usamos ganchos que parecem assustadores, mas garantimos a vocês que eles não são afiados e são usados apenas para tocar pontos específicos da cabeçorra dos paquidermes, pontos esses que são associados aos comandos.

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Carla e eu, provavelmente diante de nossa exemplar performance na fase de treinamento, ficamos incumbidos de lidar com a Baifan, que além de ser a maior de todas as elefantas, estava grávida de uns 20 meses!

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Interagir com esses magníficos, gigantescos e extremamente dóceis animais foi uma experiência sem precedentes, um sonho de infância que se concretizou. Acho que os sorrisos nas fotos dizem tudo, não é?

Depois de tanta emoção, arrumamos as malas para a parte de nossa viagem com mais aventuras e menos infraestrutura. No próximo post: bem vindos ao Laos!

Você Sabia?

Os elefantes machos, mesmo os dóceis elefantes domesticados, estão sujeitos a uma condição chamada Musth, em que a quantidade de testosterona atinge níveis 60 vezes maiores do que o normal, o que resulta em um comportamento extremamente agressivo. Os cientistas não sabem muito bem quais as razões pelas quais isso acontece, mas aparentemente há alguma relação com dominação. Nessa fase, os elefantes tornam-se violentos, frequentemente atacando outros elefantes, tratadores ou qualquer um que passe pela sua frente. Em alguns lugares, os criadores amarram os elefantes a árvores e restringem grandemente a quantidade de alimento, o que aparentemente reduz os efeitos e a duração desta condição. No centro de treinamentos que visitamos, havia um elefante que havia escapado e destruído uma fazenda vizinha no dia anterior, possivelmente por efeito do Musth, já que ele normalmente se dá no inverno (época em que estávamos lá).

Teste Seu Conhecimento:

Qual o período de gestação de um elefante?

a) 16 meses;

b) 20 meses;

c) 22 meses;

d) 24 meses.

Resposta do Post Anterior:

A estrela na bandeira da Malásia tem 14 pontas porque o país é dividido em 14 "estados", doze dos quais (Kuala Lumpur é um deles) estão na pare continental do país, sendo que a grande área da ilha de Bornéu pertencente à Malásia e dividida em apenas duas áreas administrativas e é bem menos desenvolvida, tornando-se um grande destino para quem procura um contato com a natureza.

Kuala Lumpur é um lugar que nunca recebe muita atenção dos guias e dos mochileiros, acabando sendo meramente um ponto de conexão de voos. O que nos encontramos por lá, entretanto, foi uma grata surpresa.

Como vocês sabem, nossa partida de Gili foi um tanto atribulada, com cancelamentos de barcos, atraso de voo e muita correria no aeroporto. Paramos nossa narrativa no momento em que Carla corria pelo aeroporto de Bali para tentar segurar o nosso check-in, enquanto eu também corria, manobrando o carrinho com nossos quase 60 kilos de bagagem e gritando bip-bip para que as pessoas saíssem da frente.

Deu certo. Carla teve que quase chorar para que os funcionários da AirAsia esperassem que eu chegasse com as malas, mas eles autorizaram nosso embarque com a condição de que a gente corresse, literalmente, para o portão de embarque. Assim, furamos as filas do raio-x e da imigração, e fomos surpreendidos ao sermos informados que tínhamos que pagar a taxa de embarque (odeio aeroportos/países que não incluem as taxas na passagem!), sendo que não tínhamos nada de rúpias indonésias.

Felizmente, a taxa pode ser paga em dólares, e às 17:02 estávamos decolando neste que, por ironia, foi o único voo que saiu no horário de todos os que havíamos pegado até ali.

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Imaginem nosso cansaço, então, ao chegarmos à capital da Malásia e ainda descobrirmos que estávamos no aeroporto exclusivos das empresas de baixo custo, tendo que pegar um ônibus até o aeroporto principal, de onde tomaríamos o trem para o centro da cidade (a 73km dali). O preço do trem não é muito barato, e chegamos à conclusão que a exaustão justificava perfeitamente  a diferença para o preço do taxi.

Nossa primeira surpresa agradável foi o albergue, o Reggae Mansion. O nome parece bastante duvidoso, mas o albergue é exemplar, numa casa colonial restaurada com tudo brilhando de novo, sala de cinema, limpeza impecável, TV de LCD no quarto que pode ser usada como monitor do computador também incluído, e, o melhor de tudo, um bar no terraço do ultimo andar com vista para as Petronas Towers. Coisas que a gente está acostumado a ver em hotéis quatro estrelas, não em albergues. Recomendadíssimo!

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Como estávamos muito cansados, resolvemos nos contentar com jantar em uma área de restaurantes chineses (com comida excelente, aliás) ali por perto, na rua Jalan Alor, tomar uns drinquezinhos no bar do albergue e nanar, pois havíamos agendado um city tour para as 10 da matina.

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Nossa primeira parada no rolê de vanzinha cheia de gringos, em um tour chamado “The 7 Wonders of Kuala Lumpur”, foi um templo budista chamado Thean Hou, que é o templo onde os casamentos da grande população chinesa de KL (como Kuala Lumpur é conhecida) é tradicionalmente realizado. Na verdade, até flagramos vários casais que estavam se casando ali naquele momento (sem cerimônia, aparentemente – só amigos e patentes próximos tirando fotos e testemunhando o registro).

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Como no final de janeiro acontece o ano novo chinês, o templo estava sendo decorado para as festividades, e nós de quebra tiramos fotos com esculturas de gosto duvidoso de nossos signos chineses. Eu descobri que,  enquanto a Carla, que é coelho, é cautelosa, afortunada e engenhosa, eu, que sou macaco, sou  fascinante, inteligente e confiante. Descubra qual o seu signo e o que isso quer dizer aqui.
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Segunda parada: Little India, um pedaço de rua com muitas lojas indianas (onde compramos imagens de Ganesha) na qual tivemos menos tempo do que queríamos para xeretar, mas tudo bem!

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Parada número três foi Merdeka Square, ou praça da liberdade, o local onde a bandeira do Reino Unido foi baixada e a bandeira da Malásia independente foi hasteada pela primeira vez. Até hoje, uma bandeira tremula em um mastro gigantesco nesta praça que costumava ser o campo de críquete da aristocracia colonial inglesa.

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Ao redor da praça, estão prédios importantes para a história de KL e um mini-museu, chamado Kuala Lumpur City Gallery, que conta um pouco da história da Malásia e de KL, que, na verdade não é muito diferente da história de Singapura: colônia inglesa com uma grande mistura de malaios muçulmanos, chineses budistas e indianos hindus. Ao contrário da cidade-estado, no entanto, não existe em KL uma obsessão pela ordem e limpeza, e a cidade parece mais autêntica, menos Disney World, mas com muito mais problemas, como o trânsito.

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Quarto destino:  Mesquita de Negara, a maior mesquita da Malásia, com capacidade para 15.000 pessoas. Há um salão principal, onde ficam os homens, e um mezanino para as mulheres (que não têm obrigação de frequentar a mesquita e muitas vezes usam essas horas em que os maridos rezam para o hobby favorito da maioria das mulheres: compras – palavras do nosso guia muçulmano).
Lá, tivemos uma explicação rápida sobre como o islamismo não é assim tão diferente do judaísmo e cristianismo (até uma árvore genealógica que liga Moisés, Jesus e Maomé nos foi dada). Mas o que a gente mais gostou foi das roupas que nos foram dadas para podermos entrar. A Carla virou a própria árabe muçulmana e parecia estar em casa. Eu, no entanto, fiquei parecendo mais um figurante de algum filme do Harry Potter.

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Número cinco: o palácio real. Não tem muito o que dizer, só que ele é um edifício recente e que a bandeira amarela hasteada significa que o rei estava em casa. Ah! Também vimos a troca dos guardas (que como os ingleses, também ficam imóveis), mas  tudo muito prático e simples (apenas quatro guardas envolvidos).

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Parada 6: um monumento aos soldados malaios mortos nas grandes guerras deste século, que, talvez por ter sido desenhado por um americano, retrata os soldados de forma que eles parecem, na verdade, mais brancos que malaios. O fato de bandeira malaia também conter listras vermelhas e brancas faz com que tudo pareça mais algum monumento em Washington do que KL, mas quem somos nós para julgar.

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Depois de tanta coisa, merecíamos uma paradinha para comer, e esta se deu na Malay Village, uma área onde as casas são tombadas e mantidas com o tradicional estilo malaio (de madeira e elevadas em relação ao solo). Resolvemos pedir o prato mais típico de lá, o Rendang, uma carne gostosa que queimou nossa boca e fez lágrimas subirem aos olhos, apesar de eles terem prometido que não era picante. Para sobremesa, resolvemos experimentar um doce de arroz dobrado em folhas que estavam no centro da mesa, outra iguaria tradicional cujo preparo leva dois dias. Ao provarmos, entendemos o porquê dessa demora. É que dois dias é o tempo que o arroz demora para fermentar dentro do envelope de folhas. Gosto de podre! Decidimos, assim, que o jantar seria mais uma vez na rua das barraquinhas chinesas.

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A ultima e melhor parada foi o templo conhecido como Batu Caves. Este templo hindu era o que mais esperávamos ver, e uma das maiores atrações de KL. Construído em 1890 dentro de uma caverna, acessível por uma escadaria de 272 degraus, o templo é guardado por uma colossal estátua de Murugan, com 42.7 metros de altura, e um exército de macacos que adoram roubar coisas dos turistas.

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O visual e o caráter inusitado não nos decepcionou em nada.

Quando voltamos ao albergue, a Fabiana, minha grandessíssima amiga que mora em KL e que eu não via há 8 anos estava recebendo um tour pelo albergue. Nós três nos sentamos em um bar vazio em algum lugar da cidade e ficamos batendo um papo delicioso sobre nossas impressões da Ásia, como é viver em KL, como andam as coisas no Brasil etc etc etc., além de colocarmos toda a fofoca de tanto tempo em dia. O papo estava tão gostoso que nem a Carla, que nunca tinha visto a Fabi na vida, ficou deslocada. Como é bom saber que o tempo e a distância têm pouco poder quando há uma amizade e carinho verdadeiros!

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A fome uma hora bateu, e acabamos voltando à rua onde tínhamos jantado na noite anterior e continuamos a conversa por mais algumas horas, dessa vez com carne de porco assada, e quando chegou a hora da Fabi ir ciceronear os sogros, caminhamos com ela até a estação de metrô, literalmente ao lado das torres Petronas, onde dissemos um até logo esperando que a próxima não demore tanto.

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Carla e eu ficamos admirando as Torres mais um pouco. Tendo sido por anos os prédios mais altos do mundo, a elegância das formas inspiradas das Petronas (pronuncia-se Petronás, como a Petrobrás, e são a sede da estatal petrolífera de lá) na cultura islâmica são realmente admiráveis.

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Mas não pudemos ficar babando muito tempo, pois já passava da meia-noite e nosso transporte para o aeroporto chegaria às quatro. Claro que ainda tínhamos que fazer as malas, tomar banho etc. Mas quem precisa dormir quando está de ferias?

Você Sabia?

A Malásia tem um rei, mas seu cargo não é vitalício. Existem no país 9 sultões que se revezam no cargo de rei a cada 5 anos. Assim, a cada 5 anos, o rei da Malásia muda e há uma lista de sucessão para garantir que cada sultão tenha a sua vez a cada 45 anos. O rei atual, Abdul Halim de Kedah, tem mais de oitenta anos e está cumprindo seu segundo mandato real, fato raro, pois se o sultão morre  antes ou durante sua chance, seu filho vai para o final da fila. E eu que achava nosso sistema político confuso!

Teste Seu Conhecimento:

Por que a estrela na bandeira da Malásia tem 14 pontas?

a) porque a estrela islâmica tem 14 pontas;

b) porque a Malásia é constituída por 14 estados;

c) Porque a independência da Malásia se deu no dia 14;

d) porque o primeiro rei da Malásia era muito supersticioso e achava que o número 14 traz sorte.

Resposta do Post Anterior:

A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo, com mais de 230 milhões de habitantes. Mais gente num mesmo país, só na China, Índia e Estados Unidos.

Se Bali não atendeu às nossas expectativas de relaxar e desestressar, Gili Trawagan, uma ilhota indonésia que deve ter menos de 4km quadrados parece perfeita.

As Gili islands (nome que é redundante, pois a palavra Gili já quer dizer ilha) são um conjunto de três ilhas estranhamente circulares na Indonésia. Nós optamos por ficar em Gili Trawagan, a maior e com mais estrutura.

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Arranjamos um barco rápido com um agente que trabalha em uma das milhares de barraquinhas de bilhetes pela rua (descobrimos que elas são muito comum na Ásia e uma forma segura e eficiente de arranjar os bilhetes, só sendo necessário barganhar um pouco), que atravessa o estreito de Lombok entre Bali e as Gilis e chegamos ao nosso destino em menos de duas horas (das quais Carla passou boa parte enjoando pelo soçobrar das ondas).

Ao chegarmos à nossa pousada (que era, em realidade, constituída de dois quartos no quintal de uma casa), descobrimos que a "melhor infra" desta Gili é muito relativa, pois a maioria das opções de acomodação, a nossa inclusive, não têm água doce, ou seja, nós teríamos que tomar banho com água do mar e escovar os dentes com água mineral. Oba!

Ao chegarmos, enquanto tentávamos localizar um funcionário ou alguém que tivesse tomando conta da “pousada”, comecei a escutar um miado insistente. Não um miado de pedir carinho ou comida, mas um miado desesperado que parecia, e não estou exagerando, uma criança gritando “help”. Descobri que era um gato que havia caído no poço de água doce da casa e estava preso a uns cinco metros de profundidade, onde não dava pé para ele, agarrado a um cano e sem conseguir sair, sabe-se lá há quanto tempo.

Com a ajuda de um pedaço de pano e uma corda longa, conseguimos tirar o bichinho de lá e ele hoje está muito bem, obrigado. Na ilha, na verdade, descobrimos que existem muitos gatos. Cachorros, no entanto, são proibidos por lá.

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Voltando às Gilis, elas não têm carros ou motos, ou qualquer veículo a motor, então os turistas temos que ou andar para todos os barzinhos, restaurantes e escolas de mergulho, ou alugar uma bicicleta ou usar uma das carrocinhas puxadas pelos menores cavalos que já vi.

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Mas pensando bem, eles têm que ser proporcionais aos diminutos indonésios.

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Apesar de parecer tudo muito precário, na verdade as Gilis estão se tornando um destino bastante sofisticado, com opções de acomodação cada vez melhores (e com água doce), restaurantes super bacanas e serviços de qualidade.

E ainda por cima, o visual é esse aqui:

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O único problema é que São Pedro resolveu não colaborar!

Voltemos às aulas de geografia. O clima do sudeste da Ásia é caracterizado pelas monções, ou seja, períodos de chuvas torrenciais no ano, em que chove o tempo todo, intercalados com períodos secos. Até então, havíamos deparado apenas com céus azuis, mas a época das monções não é a mesma para todos os lugares, assim, quando é seca em Bangkok, é época das chuvas na Indonésia e vice-versa. Ou seja, passamos dois dos nossos três dias em Gili encharcados, pisando em lama e não podendo aproveitar a praia. Recomendamos outra época do ano!

Tivemos então que fazer o que dava, comer, dormir e relaxar num desses minibangalôs à beira da praia tomando cerveja e olhando o mar que, mesmo sob uma chuva pesada, estas claro e lindo.

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À noite, íamos comer numas barraquinhas com noodles, arroz e rolinhos primavera e acabávamos por sentar no bar irlandês/pousada que existe por lá, o Tir na Nog.

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No nosso último dia, o sol finalmente saiu e pudemos aproveitar a praia. Há muitas opções de mergulho e snorkelling (Gili tornou-se um importante centro de escolas de mergulho, todas muito qualificadas e certificadas), mas a gente só queria saber de sol e areia mesmo.

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Jogamos um pouco de vôlei com alguns locais e uns gringos (eu no time dos locais, o que foi ótimo para eles já que minha altura era um diferencial – se tínhamos achado os asiáticos baixos, os indonésios então eram micro). A torcida da Carla foi fundamental para a nossa vitória, após o que sentamos bata bater um papo e tomar uma cerveja com os locais do meu time, uma galera com estilo mais jamaicano que indonésio, mas que garantiu boas risadas.

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Notamos que, estranhamente, não havíamos visto barcos rápidos aportarem na ilha nos últimos dois dias e, então, por precaução, fomos ao escritório de onde tínhamos comprado nosso bilhete e SURPRESA.

Todos os barcos rápidos haviam sido cancelados pelo mau tempo e ondas de cinco metros no estreito de Lombok, sem previsão de retorno à normalidade. Isso quer dizer que teríamos que pegar a balsa lenta da ilha de Lombok, ali do lado, num percurso que duraria oito horas (tadinha da Carla, que tende a enjoar no mar).

Tudo estaria muito bem (este barco lento é, na verdade, a opção de muitos mochileiros por custar uma fração do preço do barco rápido), se não fosse pelo fato de que chegaríamos em Bali por volta da 7 da noite, onde teríamos que enfrentar duas horas no trânsito de lá para chegar até o aeroporto e pegar nosso voo que sairia às, bem, 5 da tarde!

Tivemos então que arranjar uma solução alternativa. Há um aeroporto em Lombok, e havia três voos que serviriam para que chegássemos em Bali a tempo do nosso voo, com o benefício de evitarmos o trânsito. Não tinha como saber se havia assentos disponíveis, mas resolvemos arriscar.

Arranjamos, então, um barco que nos levaria até Lombok e uma van que nos levaria do porto até o aeroporto em um percurso de duas horas pelo interior da ilha.

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Conseguimos comprar as passagens para Bali por incríveis 25 dólares. Tudo parecia ter acabado perfeitamente.

Mas os funcionários da sky aviation vieram nos informar que o voo sairia com duas horas de atraso. Nós explicamos que se isso acontecesse nós perderíamos o voo em Bali e que havíamos sido muito claros ao comprar o bilhete que somente compraríamos se chegássemos a tempo.

Como o aeroporto de Lombok funciona mais como uma rodoviária que um aeroporto (lembrem-se que a Indonésia é um arquipélago gigantesco e o transporte aéreo tem que ser, portanto, barato e frequente), nossos pedidos foram atendidos e o voo sairia na hora (quer dizer, com um atraso de meia hora). Um grande mistério!

Mas a aventura não havia acabado. O check-in de nosso voo para Kuala Lumpur seria encerrado às 16:15 e nosso avião pousou às 16:10 – no terminal doméstico!

Lembra quando você assistiu ao clássico filme "Esqueceram de mim" e ao ver aquela família correndo desesperadamente pelo aeroporto deu risadas, mas sabia que coisas assim não acontecem? Pois é, você estava enganado!

Carla foi correndo, literalmente, na frente com os dois passaportes na mão para tentar garantir o check-in (que não foi feito online porque a internet em Gili falha todo o tempo). Enquanto isso, eu corri para a esteira de bagagem para pegar todas as nossas mochilas.

Agora, se você quiser saber se conseguimos ou não, terá que ficar ligado no próximo post!

Você Sabia?

Apesar de estar em um país muçulmano, as Gilis, especialmente a Trawagan, assim como Bali, têm uma mentalidade bastante liberal, especialmente por serem foco de turismo internacional, não local. Em Gili, na verdade, não há nem policiamento. Um chefe local é o responsável pelas decisões e resolução de conflitos na ilha.Ao perguntar a um local sobre a polícia, a resposta que tivemos foi: “A polícia sou eu”.

Como consequência, uma outra forma de turismo também tem florescido nas ilhas, o turismo psicotrópico. Drogas como maconha são oferecidas abertamente, mesmo sendo ilegais. Mas o grande chamariz para esse tipo de turismo é o cogumelo alucinógeno que cresce espontaneamente na ilha e que, pelo menos é o que afirmam na ilha, é perfeitamente legal (como é, ou era, na Inglaterra e Holanda). Placas como essas abaixo estão espalhadas por toda a ilha com marketing agressivo, mas bastante engraçado.

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No entanto, as atrações da ilha são suficientes para tomar o seu tempo de forma saudável. Nós do CBJ não aconselhamos ninguém a experimentar nada, até porque o hospital mais próximo está a algumas horas dali (se houver barco).

Teste Seu Conhecimento:

A Indonésia é um dos países mais populosos do mundo, com 3.4% da população mundial. Qual dos países abaixo é o único que conta com mais habitantes que este arquipélago de mais de 17.000 ilhas?

a) Estados Unidos;

b) Brasil;

c) Rússia;

d) Japão.

Resposta do Post Anterior:

A pergunta que os Balineses fazem constantemente é “Para onde você vai?”. Isso vindo de um taxista, um guia turístico ou um agente de viagens é perfeitamente normal, mas quando o copeiro do hotel, o vendedor da loja de conveniência ou uma pessoa que simplesmente está passando pela rua te fazem uma pergunta desta, você passa a notar que o que parece curiosidade excessiva para nós, ocidentais, é praticamente um olá para os balineses.

Macacos me mordam! É Bali!

Publicado: 18/01/2012 em Indonésia

O que vem à sua cabeça quando você pensa em Bali? Antes de chegarmos, o que eu esperava eram praias paradisíacas com resorts de luxo, campos de arroz cercando vilazinhas calmas e esquecidas pelo tempo que contrastam com as áreas mais desenvolvidas da ilha. Eu estava completamente equivocado.

Na verdade, a questão dos resorts luxuosos estava correta, assim como a presença de lojas de artesanato, roupas com cara de compradas em Bali etc. Só errei na proporção.

A primeira coisa que nos surpreendeu foi o trânsito. Não um trânsito de hora do rush, até porque chegamos de madrugada, mas um congestionamento constante de carros vinte quatro horas por dia, enquanto scooters se enfiam no meio dos carros, nas faixas de mão contrária, e por cima das calçadas. Uma zona!

É verdade que nós resolvemos nos hospedar em Kuta, no Tanaya Bed & Breakfast, em uma área que sabíamos ser a mais movimentada, e não tão bonita, mas enquanto esperávamos encontrar Ilhabela no carnaval, encontramos 25 de março na véspera de Natal!

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O staff do nosso hotel era uma simpatia só, mas a simpatia e hospitalidade pelas quais os balineses são famosos foi outra decepção. Mas tentemos uma abordagem cronológica.

Chegamos de madrugada e percebemos que estávamos na rua das baladas, com um bar até que bonitinho tocando musica eletrônica na porta do nosso hotel até as duas da manhã. Até aí, tudo bem. Nosso quarto era nos fundos e sem barulho.

Acordamos pela manhã dispostos a ir para as praias numa península ao Sul de Kuta, Bukit. Perguntando para o recepcionista do hotel e descobrimos que havia algumas possibilidades para chegarmos ao nosso destino, (que estava a apenas uns 18km do hotel) dependendo de quanto quiséssemos gastar:

1) contratar um carro com motorista para passar o dia com a gente – 500.000 rúpias (uns 100 reais). Estimativa de chegada em uma hora e meia (!!!!);

2) alugar um carro pelo dia – 300.000 rúpias (uns 60 reais). Chegada em uma hora e meia, se a gente não se perdesse;

3) alugar uma bicicleta pelo dia -ele não sabia quanto sairia, mas teríamos que pedalar em umas subidas não muito amigáveis. Tempo de chegada incerto;

4) alugar uma scooter pelo dia – 50.000 rúpias (uns 10 reais). Estimativa de chegada em meia hora.

Como queríamos ter tempo para relaxar, e ainda visitar um templo, achamos que a última opção era mais lógica, pois gastaríamos menos tempo e dinheiro. Só teríamos que enfrentar o insano trânsito.

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Conselho de amigo: se você não se sente confortável em uma moto, nem cogite essa possibilidade. Apesar de a velocidade alcançada nunca ser muito alta e os acidentes serem raros, o medo que se passa até se acostumar a dirigir na mão inglesa com carros e motos que entram na rua sem olhar para ver se alguém está vindo, congestionamento de motos, carros na contramão etc. não é pouco. Carla, no banco de trás, e eu, pilotando, mal conversávamos ou olhávamos para o lado, pelo menos até chegarmos à estrada onde o movimento era menor, ponto em que os nós dos meus dedos já estavam doloridos de tanto agarrar a manopla.

Chegamos por fim, depois de errarmos o caminho algumas vezes, a Dreamland, a praia que queríamos visitar. Teoricamente frequentada pelos teóricos surfistas que teoricamente vêm muito a Bali, a paia era linda, a água uma delícia, as cadeiras que encontramos para alugar relativamente baratas e o sol de rachar, como queríamos!

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Enquanto eu cochilava, Carla até comeu um frango delicioso no restaurantezinho à beira da praia, e havia chuveiros para tirar o sal na hora de ir embora. Se tivéssemos nos impressionado com um canal de esgoto a céu aberto com muito, mas muito lixo mesmo, na entrada da praia, talvez tivéssemos perdido essa que ficou sendo a nossa praia favorita (o canal de esgoto e lixo estava represado e não chegava até o mar).

Depois, demos uma passada por Padang Padang, uma outra praia na qual se chega passando por uma mini-caverna, mas a praia era pequena e estava lotada, então ficamos pouco.

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Graças ao trânsito bem melhor na península de Bukit, tivemos tempo de chegar ao templo de Uluwatu, onde há um show de dança com fogo ao por do sol. Não se pode entrar no templo e nossa vontade de ver o show era muito menor que nosso receio de voltar na estradinha à noite, mas a diversão foi garantida por algo inusitado: o bando de macacos que moram ali e adoram atacar os turistas.

Há uma placa recomendando cuidado com os primatas, mas nós não demos muita confiança. A Carla nem tirou os brincos de argola prateados, como recomendava o aviso. Na verdade, até compramos um saquinho de manga de uma velhinha para dar para os bichinhos fofinhos.

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Logo na entrada, vimos um macaco arrancando um pé das havaianas de uma turista japonesa e subindo com ele para uma árvore. Logo depois, outro, um macho grande, pulou em cima de um homem e arrancou o saco de frutas da mão dele. Mas o melhor estava por vir, e envolvia a gente!

A Carla estava com uma bolsinha que comprou especialmente para a viagem a tiracolo. A bolsinha, como característico das bolsinhas da marca, tem um macaquinho de pelúcia pendurado no zíper. Não é que um danado veio por trás e arrancou o macaquinho da bolsa e subiu para um galho, de onde nos olhava com cara de safado e mordia a sua versão pelúcia?!?

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Depois de muito tentar o macaco com pedaços da manga que havíamos comprado, e com a ajuda de um velhinho que estava por ali ajudando a recuperar itens roubados, o macaco de verdade devolveu o macaco da Carla, cicatrizado, sem um pedaço da cabeça, mas com uma bela história para contar! Claro que depois disso os brincos da Carla foram imediatamente guardados na bolsa e nos ficamos muito espertos nos danados, em tempo de ver um pulando na cabeça de uma muçulmana e tentando arrancar a presilha que prendia seu véu na cabeça e arrancando quase todo o lenço. Pelo visto eles não respeitam nem as questões religiosas!

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A volta para o hotel foi mais tranquila que a ida, nós mais confiantes e com mais entendimento da dinâmica do trânsito balinês. Depois de um rolezinho pela nossa rua e chegarmos à conclusão que as baladinhas mais agitadas eram agitadas demais para a gente e que as mais calmas eram calmas demais para a gente, decidimos nos contentar com comer no Warung Nina, do lado do hotel e ir para a cama cedo, o que foi uma excelente decisão, pois a comida estava deliciosa e o serviço excelente, tudo com um preço relativamente baixo.

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Enquanto relaxávamos um pouco no terraço do hotel, tomando uma cervejinha antes de irmos dormir, conhecemos Meda e os outros funcionários da copa do hotel. Apenas um deles falava inglês, e muito mal por sinal, então eles basicamente só olhavam para nós e riam, aquela risada contagiante que tínhamos conhecido no Camboja. Entre risadas e risadas intercaladas com uso do Google tradutor para tentar entender o porquê todos nós ríamos tanto, eles nos convidaram para tomar um pouco de Arak Bali, uma aguardente de arroz típica de lá, que eles misturam com coca. Era até bom, mas o contexto fez com que adorássemos ainda mais provar a bebida na copa enquanto ríamos sempre que alguém entendia, ou não entendia, algo.

No dia seguinte, de volta à motoca, fomos para as praias ligeiramente ao norte de Kuta. Planejamos ir para Echo Beach e Seminyak, uma praia considerada pelos guias como sofisticada e bem freqüentada.

Depois de abastecer a motoca à moda balinesa (vejam só a foto), chegamos a Echo Beach, que é bonita, mas não é realmente uma praia no sentido que esperávamos, pois o mar era muito mexido, a areia escura e nenhuma cadeira ou guarda-sol. Tivemos que nos satisfazer com uma pizza deliciosa e bons negócios comprando sarongues de uma vendedora fofíssima.

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Como queríamos era deitar na areia com uma cerveja na mão, fomos para Seminyak.

O tempo começou a fechar, no entanto, e quando chegamos à praia, cuja areia escura e muito pegajosa nos lembrou aquelas praias de São Paulo para as quais todos torcem o nariz, já não havia sol. Cochilamos um pouco nas cadeiras que alugamos e quando vimos que a chuva era mesmo inevitável, fomos para a avenida com maior concentração de lojinhas em busca de suvenires.

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Depois de um tempo, cansados de barganhar muito e comprar pouco (comprar qualquer coisa em Bali demora pelo menos uns 15 minutos, com todo um ritual em que eles dão o preço e você tem que barganhar várias vezes, sair da loja para o vendedor te puxar pelo braço para dentro da loja de novo e aceitar o preço inicial que você queria pagar), encharcados pela chuva e com fome, paramos em um lugar que era obviamente ignorado pelos turistas e decidimos comer ali, para saber o que só os locais comem.

Até agora não temos certeza, porém! Como ninguém no restaurante falava inglês e não havia cardápio, apenas as comidas prontas num sistema bufê, fomos tentando pedir o que parecia apetitoso e não muito apimentado.

Acabamos comendo arroz, algo que parecia carne seca (bem seca mesmo, não como a nossa), galinha com curry e uma coisa que parecia uma barra de cereais, mas que era uma macia torta de soja. Até a única coisa além do arroz que reconhecemos, uma batata cozida em um molho qualquer, nos surpreendeu quando descobrimos que a batata, na verdade, era um ovo!

No dia seguinte, os planos eram de ir para Ubud, o centro cultural de Bali, o lugar para onde a personagem do livro e filme Comer, rezar, amar vai encontrar o amor. Como não tínhamos a intenção ou pretensão de encontrarmos nada do tipo, pelo menos nos demos ao luxo (já que a distância era maior) de alugar um carro ao invés da motoca.

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Mal imaginávamos que a viagem de carro seria tão enlouquecedora quanto o rolê de motoca. Quase atropelamos um velhinho, quase caímos em buracos na beira da estrada, quase muita coisa. Mas chegamos sãos e salvos no que, no final das contas, não tem muito de centro cultural não, só mais e mais ruas de lojas e lojas vendendo artesanato (muitos dos quais são produtos industrializados que se encontra em qualquer outro lugar no sudeste da Ásia).

O que valeu a pena, entretanto, foi a Monkey Forest, um parque com alguns templos e muitos macacos que vêm brincar com você. Desta vez, porém, eles foram menos agressivos.

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Voltamos para o nosso hotel, onde ganhamos de presente do staff uma garrafa de Arak Bali acompanhada de muitas outras risadas (nos pesa o coração admitir que na pressa do check-out esquecemos a garrafa no quarto).

Na manhã seguinte, partimos cedinho rumo a Gili Trawagan, uma outra ilha da Indonésia com uma atmosfera mais relaxada e melhores chances de paz e tranquilidade. Mais informações no próximo post!

Você Sabia?

Bali é muito diferente do resto da Indonésia. Além de outra religião (a maioria dos balineses é hindu, enquanto a Indonésia é um país muçulmano) e outra língua, quase todos os balineses têm o mesmo nome. Na verdade, existem apenas quatro nomes em Bali, Wayan, Made, Nyoman e Ketut, que querem dizer, respectivamente, primeiro, segundo, terceiro e quarto, dados de acordo com a ordem de nascimento. Os nomes são os mesmos para homens e mulheres. Assim, as pessoas acabam tendo que ser conhecidas pelo nome e sobrenome, ou um apelido. No nosso caso (Carla e eu, que somos a filha mais velha e o segundo filho), nossos nomes seriam Wayan Carlini e Made Moraes. E o que acontece quando o casal tem mais de cinco filhos? O quinto passa a se chamar o que só pode ser traduzido como “Wayan de novo”. Agora imagina só a confusão que foi quando um Ketut ligou para o nosso hotel para conversar com a Carla sobre o nosso agendamento. Ela já foi dizendo que não, que já tinha comprado o bilhete de barco que ele estava querendo vender de outro vendedor, que fez um preço mais barato. Confusão no ar. Ele não falava muito bem inglês e a conversa demorou um bom tempo até que descobríssemos que o Ketut que estava ligando não era o Ketut do barco, mas o Ketut do carro que iríamos alugar no dia seguinte (Nunca mais reclame que seu nome é comum!).

Teste seu conhecimento:

Qual a pergunta super comum que os balineses, mesmo aqueles que não te conhecem, fazem, às vezes antes mesmo de dizer oi?

a) Tudo bem?

b) Tá gostando de Bali?

c) Para onde você está indo?

d) Que horas são?

Resposta do Post Anterior:

A maior multa para as infrações listadas é a de jogar lixo no chão, que é de módicos 1000 dólares cingapurianos (o equivalente a 1.400 reais). Atravessar fora da faixa vai te custar 50 dólares cingapurianos, enquanto comer no metrô e fumar em lugares proibidos separarão 500 dólares cingapurianos da sua carteira. Melhor andar na linha, né?

Singapura, a Utopia.

Publicado: 16/01/2012 em Uncategorized

Como havíamos chegado em Cingapura no meio da madrugada, podres de sono por ter passado o dia primeiro viajando de barco, van e avião, nos permitimos acordar tarde para caramba no nosso primeiro dia. Saímos do albergue quase meio dia e fomos para Chinatown.

O que vimos lá foi tudo aquilo que a gente gostaria que todos os outros bairros chineses fossem: cheio de lojinhas com produtos baratos, mas limpo e organizado, com comida chinesa gostosa em um restaurante que não fedia (apesar de que só conseguíamos a atenção dos garçons quando todos nós ficávamos com as mãos levantadas). Estranhamente, há, no meio de Chinatown, o mais antigo templo indiano de Singapura, mas como a cidade-estado é um caldeirão de diferentes culturas, isso deve até ser esperado.

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Continuamos caminhando pela cidade, que estava estranhamente vazia para uma segunda-feira, especialmente porque estávamos em um bairro onde abundam altos edifícios comerciais. Descobrimos, então, que como o feriado do dia primeiro havia caído no domingo, o feriado foi “transferido” para segunda. E ainda dizem que nós brasileiros é que somos preguiçosos, com muitos feriados! Na verdade, este hábito vem da colonização inglesa, e acontece por lá também.

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Em meio aos modernos arranha-céus em ruas desertas, já pudemos perceber que, de fato, a limpeza de Cingapura faz jus à reputação da cidade. Pudemos também notar que havíamos entrado no Estado do Positivismo. Para tudo existem regras e estas regras são absolutamente claras e espalhadas por todo canto, seja na forma de plaquinhas de proibido fazer algo, seja em instruções de como fazer as coisas.

Sabíamos que Cingapura é famosa por se ”a fine city” (um trocadilho que pode significar ‘uma cidade bacana’ ou ‘uma cidade de multas’), e que multas são previstas para coisas triviais, como cuspir na rua ou jogar chiclete no chão e para coisas bizarras, como urinar no elevador. As regras são tantas que descobrimos que se houvesse fiscalização dos turistas (eles são bem mais tolerantes com quem não é de lá do que com a população) teríamos acumulado uma grande dívida em multas, principalmente por ter entrado no país com chicletes e cigarros. Poderíamos até ter sido condenados a levar umas pauladas (isso mesmo, a lei prevê punição física para alguns “delitos”, mas essa forma de pena não é utilizada – ou pelo menos é o que nos disseram).

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Entre avisos e placas e ruas vazias e bonitas, chegamos a Marina Bay, a área cartão postal de Cingapura onde há pouco tempo foi inaugurado um hotel gigantesco que possui uma “Piscina Infinita” (Infinity pool) lá em cima, além de um deck de observação. Havia uma fila gigante e descobrimos que teríamos que pagar 20 dólares cingapurianos (mais ou menos uns 30 reais) só para subir no deck, sem nem poder dar uma olhada na famosa piscina. Claro que desencanamos e depois de uma cervejinha olhando a Marina Bay, voltamos para o albergue para descansar um pouco.

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Gabriela e Fernanda descansaram até o dia seguinte, na verdade, mas Carla e eu conseguimos juntar forças para ir a Clarke Quay, uma área da cidade onde existem uma infinidade de restaurantes e bares às margens de um braço do Rio Cingapura. O lugar é super bonito, todo iluminado, com fontes, cobertura e todos os tipo imagináveis de restaurantes. Eu e Carla, cansados da apimentada comida do sudeste da Ásia, acabamos sentando em um mexicano (porque, pelo menos, é um apimentado com o qual já estamos acostumados!).

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Acabamos conhecendo um cingapuriano e conversando bastante sobre a sociedade de lá. Vamos fazer um resumão:

Cingapura , em muitos sentidos, é uma ficção, uma invenção. Antes da chegada dos ingleses, somente havia uma vilinha de pescadores malaios. A cidade floresceu como um porto crucial para o império britânico, atraindo grandes migrações de chineses e indianos. Depois da independência malaia do Reino Unido após a Segunda Guerra, Singapura não demorou muito para se tornar independente da Malásia, tornando-se uma cidade-estado. Hoje, essa mistura de culturas é bastante evidente, com a adição de um quarto setor, os ocidentais expatriados que trabalham nas multinacionais que têm sede e escritórios em Cingapura.

Longe de ser uma nação única pela mistura de raças e religiões, os diferentes grupos da sociedade tendem a manter sua cultura original. Assim, turistas passando por lá acabam com a impressão de que não existe uma nação singapuriana, uma identidade local. Mas essa mistura de ingleses, malaios, indianos e chineses acabou por se tornar um centro altamente desenvolvido economicamente e extremamente eficiente (esse talvez seja o maior orgulho nacional). A cidade, portanto, é moderna, limpa e linda, mas com uma cultura aparentemente restrita a restaurantes e compras.

No nosso segundo dia, fomos para Sentosa Island, que é a ilha da diversão, com cassino, uma parque temático da Universal Studios e várias atrações, desde exibições sobre a história de Singapura até indoor skydiving e o primeiro cinema 4D da Ásia.

Na verdade, ao contrário do que pensávamos, cada atração é paga separadamente, o que acaba ficando bem caro, especialmente porque a maioria delas é ou curta demais (como o passeio de carrinho de rolimã e de segway – aqueles carrinhos de duas rodas em que você anda em pé) ou bobo demais (como o filme tosco de piratas do cinema 4D). Na verdade, as únicas coisas que a gente realmente gostou foram a exibição da história de Cingapura e os passeios nos diversos meios de locomoção. A ida a Sentosa, então, depende do quanto você quer gastar e do que quer fazer. Vale fazer uma boa pesquisa na internet antes de pegar o bondinho que te leva até lá.

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Voltamos correndo para o albergue porque tínhamos agendado um city tour de, como vocês notaram no vídeo acima, patinete.

Além de ter sido grátis, essa foi sem sombra de dúvidas a coisa mais legal que a gente fez por lá, pois pudemos passar 5 horas com uma guia local explicando o que cada coisa era, tudo bancado pelo nosso albergue, o The Inn Crowd. Uma pena que a maioria das cidades do mundo não têm calçadas e ruas tão perfeitas como Cingapura, pois a ideia é simples, barata, te coloca bem mais perto das coisas do que um ônibus de city tour e ainda queima as calorias de todo o arroz ou macarrão que andamos comendo!

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No final do tour (que percorreu praticamente todos os pontos de interesse do país), ainda assistimos a um show de água e luzes na Marina Bay.

Tá bom, vai, no final das cinco horas estávamos um caco e acordamos no dia seguinte com algumas dores aqui e ali pelo esforço, mas valeu a pena…mesmo!

Carla, na verdade, só ficou com a gente uns três quartos do tour porque teve que sair mais cedo para encontrar dois amigos da época em que ela morava em Boston em um barzinho. Gabriela, Fernanda e eu, depois de um belo banho para tirar a inhaca das horas de patinete, nos juntamos a eles. Foi uma delícia conhecer o Karl (ex-chefe da Carla) e sua esposa Olivia , dois queridos que nos deram uma boa noção do que é a vida dos expatriados de Singapura, assim como a Carlina, uma venezuelana que além de ser uma querida é leitora do CBJ (segundo ela, ela só entende metade, pois não fala português, mas se diverte mesmo assim). Uma pena que nós que chegamos mais tarde tivemos tão pouco tempo para conhecê-los melhor.

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E essa noite marcou o último dia em que este front do CBJ contou com 4 pessoas. Infelizmente, na manhã seguinte, Carla e eu tivemos que dar adeus à queridas companheiras Fernanda e Gabriela (snif snif), que iriam para o parque da Universal Studios (e de lá enfrentariam as muitas horas em aviões até o Brasil) enquanto Carla e eu tomávamos nosso voo para Bali.

Nós dois só tivemos tempo para subir no bendito hotel Marina Bay Sands Resort para ver a bendita piscina e a vista lá do alto. A vista em si não nos impressionou muito, e é um pouco cruel olhar para pessoas relaxando em um dia super quente numa piscina super bacana (dela você não vê o fim do prédio – por isso o nome Infinity Pool) sem poder entrar (óbvio que apenas os hóspedes que pagaram uns US700 a diária podem). Pelo menos não tivemos que pagar a taxa para subir no deck que é cobrada dos turistas que querem apreciar a vista. Como? Apenas dizendo que queríamos tomar um drink no Deck Bar. Nós escolhemos um coquetel com suco de limão e raiz forte que veio, claro, com um camarão boiando (até nos drinques, meu Deus!).

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Carla e eu embarcamos então para Bali, com um prospecto de praias maravilhosas e chances de relaxar. Será?

Você Sabia?

1) Um dos grandes símbolos de Cingapura é uma figura conhecida como Merlion, uma mistura de sereia com leão. Ao contrário de muitos outros símbolos nacionais, este não tem nenhuma conexão com o folclore ou tradições locais. Na verdade, ele foi criado em 1964 por Fraser Brunner para a autoridade de turismo de Singapura. A cauda de peixe representa as origens da vila de pescadores, enquanto o leão representa o significado do nome do país, pois Singapura quer dizer cidade do Leão – não que o grande felino africano faça parte da fauna local, veja bem. E realmente é o símbolo perfeito: um amontoado de coisas que não combinam umas com as outras, de culturas que não se misturam, artificialmente colocadas juntas por ordem do governo local, com um resultado lindo, mas que não possui muita raiz histórica.

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2) Não sei se vocês notaram, mas por todo o post escrevi o nome desta cidade-estado de duas formas, Cingapura e Singapura. Isso porque as duas formas são válidas na língua portuguesa e eu me senti mal tendo que escolher só uma.

Teste seu Conhecimento:

Qual das infrações abaixo é punida com multa de valor mais alto?

a) fumar em locais públicos;

b) atravessar a rua fora da faixa

c) jogar lixo no chão;

d) comer no metrô.

Resposta do Post Anterior:

Mesmo antes da festa, havia bastante lixo nos terrenos baldios. Depois da festa de ano novo, o que mais havia no caminho eram havaianas perdidas. Enquanto Carla e Gabriela voltavam do reveillon, uma menina que havia sido picada por uma cobra estava sendo carregada e vomitando (não sabemos se por causa do veneno ou baldinhos). Eu encontrei um macaco todo faceiro. OU seja, a única coisa que não vimos foi uma aranha.

Adeus ano velho no paraíso

Publicado: 12/01/2012 em Uncategorized

No dia 30 de dezembro, partimos de Phuket em direção ao paraíso onde iríamos passar o ano novo: Koh Phi Phi. Mas para chegar ao paraíso, é preciso penar um pouco.

Nosso barco saiu no começo da tarde, sob um sol de rachar, o que não seria tão mal se padrões internacionais de segurança fossem respeitados e o barco não estivesse levando muito mais gente do que a capacidade. Resultado: Não havia onde sentar na cabine do barco, e nem mesmo nas laterais ou no deck. Dá só uma olhada na situação.

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Ainda assim, chegamos felizes a Phi Phi Don (na verdade, o que é chamado por todos de Phi Phi é o conjunto de duas ilhas, Phi Phi Don e Phi Phi Leh), onde fica a vilazinha e todas as opções de acomodação, que vão das mais simples às mais carinhas. Ainda no píer, fomos recebidos por um funcionário da nossa pousada, a Inghpu Viewpoint, o que se provou de muita ajuda, já que a vilazinha nada mais é do que um labirinto de ruazinhas cheias de lojinhas, casas de massagem, restaurantes, bares etc. Teria sido bem difícil acharmos o caminho sozinhos, e com menos emoção, já que o motorista da Kombi com caçamba que estava levando nossas malas (e alguns de nós) resolveu que o melhor jeito de subir o morro é de ré, e não de ré devagar!

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Já na pousada, fomos recebidos com um copinho de prata com água geladíssima (nossas glândulas sudoríparas agradeceram muito) e deixamos nossas coisas no bangalô antes de descermos até a praia (que fica do outro lado da ilha, mas apenas a cinco minutos caminhando) para jantarmos à beira do mar. Que chato!

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Na volta para o bangalô (não me canso dessa palavra), uma paradinha na piscina para dar uma refrescada a mais.

No dia seguinte, partimos em um passeio de barco que nos levaria à Koh Phi Phi Leh, que é a maior atração dali em termos de beleza natural. A primeira parada, foi na Praia dos Macacos, que como o nome diz, é uma praia…com macacos.

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De lá, passamos por uma baía linda com um balanço para nadar e relaxar, e uma área para snorkelling onde a quantidade de peixes é enorme, embora até as barracudas pareçam um tanto pequenas (deve ser alguma coisa da Ásia…hahaha). Vejam o que vocês acham:

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Para arrematar, três horas em Maya Bay, A Praia:

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Tá certo que estava um tanto cheia e que o monopólio da única barraquinha de bebidas e snacks faz o preço subir consideravelmente, mas a beleza do lugar não decepciona. A praia fica localizada em uma baía de entrada muito estreita, a água, então, é super calma e transparente. Depois de um tempo ali, quando a maioria dos barcos de turistas tinha ido embora, conseguimos relaxar e aproveitar mais.

No caminho de volta, fomos surpreendidos por fatias de abacaxi e uma prévia etílica do ano novo. Nosso barqueiro nos presenteou com um baldinho (isso mesmo, é assim que eles bebem por lá) de whisky local com coca-cola. Não se iludam, era horroso, mas a gente bebe mesmo assim!

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Antes de voltarmos ao hotel para nos trocarmos para o ano novo, jantamos e resolvemos (todos menos a Gabriela, que demora mais para se arrumar) fazer uma sessão de uma hora de massagem, para entrar em 2012 beeeeeem relaxados. Funcionou. Nem mesmo o fato de a água ter acabado no hotel às 22:30 nos fez perder a calma.

À meia-noite, estávamos na beira da praia, com a garrafa de champanhe que eu vinha carregando na mochila desde Londres mais um baldinho com vodca alguma coisa, pulando feito bobos e nos abraçando, e abraçando as pessoas ao redor, e desviando dos fogos de artifícios que estavam colocados no meio da galera sem aviso algum (Gabriela perdeu só um tufo de cabelo, mas teve uma menina desconhecida cujo cabelo ficou parecendo Bombril em chamas – que horror).

Todos os barzinhos colocaram grandes autofalantes na praia e a gente podia passar de um a outro, escolhendo o ritmo musical que mais nos apetecesse. O melhor de tudo é que a bebida acabava saindo relativamente barata, pois saíamos da praia, caminhávamos um minuto pela vilazinha e já podíamos encontrar uma barraquinha vendendo algum baldinho.

Ficamos “amigos” de uma galera, mas a maioria das pessoas das fotos aí de baixo a gente nem sabe quem são (ou não quer dizer). Seja lá quem estiver de branco, no entanto, pode ter certeza que é brasileiro (acho).

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Foi tudo muito divertido, todo mundo aprontou um pouco, com juízo suficiente para evitar problemas. O único pepino da noite, na verdade, foi quando eu e Fernanda nos envolvemos em uma briga com a moça que vendia os baldinhos, envolvendo, claro, a polícia tailandesa.

Eu pedi vodca da mais barata e me serviram uma mais cara. Eu disse que não iria pagar, pois não tinha pedido a mais cara. Um senhor saiu detrás da barraca, gritando algo em tailandês e se dirigiu a um grupo de homens sentados num gramado. Sujou! Perguntei, então, para um tatuador (eles usam uma técnica interessantíssima por lá, com bambu ao invés das maquininhas a que estamos acostumados) onde poderia encontrar um policial e, surpresa, ele apontou para o mesmo grupo de homens sentados no gramadinho.

Expliquei para o policial a situação muito calmamente, enquanto ele muito calmamente limpava o pente da sua arma (gotículas de suor se formando na minha testa). Ele parecia compreender (talvez porque eu automaticamente comecei a falar inglês com sotaque tailandês?) e concordou com minha proposta de um acordo em um valor intermediário ao que eu tinha pedido e eles queriam me cobrar. Mas a mulher da barraquinha continuava gritando e o senhor que tinha se metido na história começou a dizer que a Fernanda tinha dito que a polícia tailandesa não prestava para nada, momento em que eu vi nossa vantagem indo embora. Mas tudo foi resolvido com um:

“Listen me! You Police, Me tourist. You make decison! You say: ‘Pay’, I pay, but I want Police opinion” (tudo isso falado por mim com a intonação deles).

Ele olhou para mim como quem diz: “Você tá brigando por 3 dólares?” e me aconselhou pagar, o que eu fiz e achei que o problema estivesse resolvido. Mas cadê a Fernanda?

Enquanto imagens de pessoas sendo sequestradas e presas nas suas férias no sudeste asiático (maldita série “Férias na Prisão”, do Discovery Channel) eu rodava atrás da companheira perdida. Passei pelo lugar onde entivemos por quase toda a noite, e nada. Perguntei à Carla e Gabriela se elas a tinham visto, e nada. Depois de muito perambular, cansei e me sentei em um tronco no chão, já pensando no que iria contar para as pessoas, quando a Carla se aproximou de mim, com a Fernanda.

Aí foi aquela cena de brigas, abraços, reconciliação e juras de amor pela qual só quem bebeu um pouquinho além da conta consegue passar. Sawadee-pi-mai-krap (Feliz ano novo!).

Mal tivemos tempo de curar a ressaca e já estávamos de volta no barco para Phuket para embarcarpmos com destino a Singapura, um destino que, para mim pelo menos, parecia pouco interessante quando planejávamos a viagem, mas que nos surpreendeu. Confira no próximo post.

Você Sabia?

Quando das filmagens do filme A Praia, que eternizou na película imagens extremamente convidativas de Phi Phi Leh, a equipe de produção alterou o formato da praia, para que ficasse mais de acordo com as necessidades das filmagens. Toneladas de Areia foram colocadas e terraplenagem foi realizada. A natureza, porém, sempre toma de volta o que é seu, e o tsunami de 2004 devolveu o antigo traçado a Maya BAy.

Teste seu Conhecimento:

O que NÃO foi encontrado por nenhum de nós no caminho entre a praia/vila e a pousada em Phi Phi?

a) Uma menina picada por uma cobra;

b) Uma macaco calmamente comendo um pedaço de manga;

c) Lixo e mais lixo jogado em terrenos baldios;

d) Uma aranha do tamanho da minha mão;

e) Incontáveis pés de havaianas (sem os respesctivos pares) perdidos pelos turistas durante a noitada.

Resposta do Post Anterior:

Como a maioria dos destinos populares de férias, Phuket é bastante inflacionado em relação a Bangkok. A massagem, que na Capital custava entre 150 e 200 Bahts, lá custa entre 250 e 300 Bahts, sendo que barganhar o preço, tão comum no sudeste asiático, não é tão bem recebido por aqui.

Adeus ano velho no paraíso

Publicado: 12/01/2012 em Uncategorized

No dia 30 de dezembro, partimos de Phuket em direção ao paraíso onde iríamos passar o ano novo: Koh Phi Phi. Mas para chegar ao paraíso, é preciso penar um pouco.

Nosso barco saiu no começo da tarde, sob um sol de rachar, o que não seria tão mal se padrões internacionais de segurança fossem respeitados e o barco não estivesse levando muito mais gente do que a capacidade. Resultado: Não havia onde sentar na cabine do barco, e nem mesmo nas laterais ou no deck. Dá só uma olhada na situação.

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Ainda assim, chegamos felizes a Phi Phi Don (na verdade, o que é chamado por todos de Phi Phi é o conjunto de duas ilhas, Phi Phi Don e Phi Phi Leh), onde fica a vilazinha e todas as opções de acomodação, que vão das mais simples às mais carinhas. Ainda no píer, fomos recebidos por um funcionário da nossa pousada, a Inghpu Viewpoint, o que se provou de muita ajuda, já que a vilazinha nada mais é do que um labirinto de ruazinhas cheias de lojinhas, casas de massagem, restaurantes, bares etc. Teria sido bem difícil acharmos o caminho sozinhos, e com menos emoção, já que o motorista da Kombi com caçamba que estava levando nossas malas (e alguns de nós) resolveu que o melhor jeito de subir o morro é de ré, e não de ré devagar!

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Já na pousada, fomos recebidos com um copinho de prata com água geladíssima (nossas glândulas sudoríparas agradeceram muito) e deixamos nossas coisas no bangalô antes de descermos até a praia (que fica do outro lado da ilha, mas apenas a cinco minutos caminhando) para jantarmos à beira do mar. Que chato!

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Na volta para o bangalô (não me canso dessa palavra), uma paradinha na piscina para dar uma refrescada a mais.

No dia seguinte, partimos em um passeio de barco que nos levaria à Koh Phi Phi Leh, que é a maior atração dali em termos de beleza natural. A primeira parada, foi na Praia dos Macacos, que como o nome diz, é uma praia…com macacos.

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De lá, passamos por uma baía linda com um balanço para nadar e relaxar, e uma área para snorkelling onde a quantidade de peixes é enorme, embora até as barracudas pareçam um tanto pequenas (deve ser alguma coisa da Ásia…hahaha). Vejam o que vocês acham:

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Para arrematar, três horas em Maya Bay, A Praia:

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Tá certo que estava um tanto cheia e que o monopólio da única barraquinha de bebidas e snacks faz o preço subir consideravelmente, mas a beleza do lugar não decepciona. A praia fica localizada em uma baía de entrada muito estreita, a água, então, é super calma e transparente. Depois de um tempo ali, quando a maioria dos barcos de turistas tinha ido embora, conseguimos relaxar e aproveitar mais.

No caminho de volta, fomos surpreendidos por fatias de abacaxi e uma prévia etílica do ano novo. Nosso barqueiro nos presenteou com um baldinho (isso mesmo, é assim que eles bebem por lá) de whisky local com coca-cola. Não se iludam, era horroso, mas a gente bebe mesmo assim!

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Antes de voltarmos ao hotel para nos trocarmos para o ano novo, jantamos e resolvemos (todos menos a Gabriela, que demora mais para se arrumar) fazer uma sessão de uma hora de massagem, para entrar em 2012 beeeeeem relaxados. Funcionou. Nem mesmo o fato de a água ter acabado no hotel às 22:30 nos fez perder a calma.

À meia-noite, estávamos na beira da praia, com a garrafa de champanhe que eu vinha carregando na mochila desde Londres mais um baldinho com vodca alguma coisa, pulando feito bobos e nos abraçando, e abraçando as pessoas ao redor, e desviando dos fogos de artifícios que estavam colocados no meio da galera sem aviso algum (Gabriela perdeu só um tufo de cabelo, mas teve uma menina desconhecida cujo cabelo ficou parecendo Bombril em chamas – que horror).

Todos os barzinhos colocaram grandes autofalantes na praia e a gente podia passar de um a outro, escolhendo o ritmo musical que mais nos apetecesse. O melhor de tudo é que a bebida acabava saindo relativamente barata, pois saíamos da praia, caminhávamos um minuto pela vilazinha e já podíamos encontrar uma barraquinha vendendo algum baldinho.

Ficamos “amigos” de uma galera, mas a maioria das pessoas das fotos aí de baixo a gente nem sabe quem são (ou não quer dizer). Seja lá quem estiver de branco, no entanto, pode ter certeza que é brasileiro (acho).

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Foi tudo muito divertido, todo mundo aprontou um pouco, com juízo suficiente para evitar problemas. O único pepino da noite, na verdade, foi quando eu e Fernanda nos envolvemos em uma briga com a moça que vendia os baldinhos, envolvendo, claro, a polícia tailandesa.

Eu pedi vodca da mais barata e me serviram uma mais cara. Eu disse que não iria pagar, pois não tinha pedido a mais cara. Um senhor saiu detrás da barraca, gritando algo em tailandês e se dirigiu a um grupo de homens sentados num gramado. Sujou! Perguntei, então, para um tatuador (eles usam uma técnica interessantíssima por lá, com bambu ao invés das maquininhas a que estamos acostumados) onde poderia encontrar um policial e, surpresa, ele apontou para o mesmo grupo de homens sentados no gramadinho.

Expliquei para o policial a situação muito calmamente, enquanto ele muito calmamente limpava o pente da sua arma (gotículas de suor se formando na minha testa). Ele parecia compreender (talvez porque eu automaticamente comecei a falar inglês com sotaque tailandês?) e concordou com minha proposta de um acordo em um valor intermediário ao que eu tinha pedido e eles queriam me cobrar. Mas a mulher da barraquinha continuava gritando e o senhor que tinha se metido na história começou a dizer que a Fernanda tinha dito que a polícia tailandesa não prestava para nada, momento em que eu vi nossa vantagem indo embora. Mas tudo foi resolvido com um:

“Listen me! You Police, Me tourist. You make decison! You say: ‘Pay’, I pay, but I want Police opinion” (tudo isso falado por mim com a intonação deles).

Ele olhou para mim como quem diz: “Você tá brigando por 3 dólares?” e me aconselhou pagar, o que eu fiz e achei que o problema estivesse resolvido. Mas cadê a Fernanda?

Enquanto imagens de pessoas sendo sequestradas e presas nas suas férias no sudeste asiático (maldita série “Férias na Prisão”, do Discovery Channel) eu rodava atrás da companheira perdida. Passei pelo lugar onde entivemos por quase toda a noite, e nada. Perguntei à Carla e Gabriela se elas a tinham visto, e nada. Depois de muito perambular, cansei e me sentei em um tronco no chão, já pensando no que iria contar para as pessoas, quando a Carla se aproximou de mim, com a Fernanda.

Aí foi aquela cena de brigas, abraços, reconciliação e juras de amor pela qual só quem bebeu um pouquinho além da conta consegue passar. Sawadee-pi-mai-krap (Feliz ano novo!).

Mal tivemos tempo de curar a ressaca e já estávamos de volta no barco para Phuket para embarcarpmos com destino a Singapura, um destino que, para mim pelo menos, parecia pouco interessante quando planejávamos a viagem, mas que nos surpreendeu. Confira no próximo post.

Você Sabia?

Quando das filmagens do filme A Praia, que eternizou na película imagens extremamente convidativas de Phi Phi Leh, a equipe de produção alterou o formato da praia, para que ficasse mais de acordo com as necessidades das filmagens. Toneladas de Areia foram colocadas e terraplenagem foi realizada. A natureza, porém, sempre toma de volta o que é seu, e o tsunami de 2004 devolveu o antigo traçado a Maya BAy.

Teste seu Conhecimento:

O que NÃO foi encontrado por nenhum de nós no caminho entre a praia/vila e a pousada em Phi Phi?

a) Uma menina picada por uma cobra;

b) Uma macaco calmamente comendo um pedaço de manga;

c) Lixo e mais lixo jogado em terrenos baldios;

d) Uma aranha do tamanho da minha mão;

e) Incontáveis pés de havaianas (sem os respesctivos pares) perdidos pelos turistas durante a noitada.

Resposta do Post Anterior:

Como a maioria dos destinos populares de férias, Phuket é bastante inflacionado em relação a Bangkok. A massagem, que na Capital custava entre 150 e 200 Bahts, lá custa entre 250 e 300 Bahts, sendo que barganhar o preço, tão comum no sudeste asiático, não é tão bem recebido por aqui.