O que vem à sua cabeça quando você pensa em Bali? Antes de chegarmos, o que eu esperava eram praias paradisíacas com resorts de luxo, campos de arroz cercando vilazinhas calmas e esquecidas pelo tempo que contrastam com as áreas mais desenvolvidas da ilha. Eu estava completamente equivocado.
Na verdade, a questão dos resorts luxuosos estava correta, assim como a presença de lojas de artesanato, roupas com cara de compradas em Bali etc. Só errei na proporção.
A primeira coisa que nos surpreendeu foi o trânsito. Não um trânsito de hora do rush, até porque chegamos de madrugada, mas um congestionamento constante de carros vinte quatro horas por dia, enquanto scooters se enfiam no meio dos carros, nas faixas de mão contrária, e por cima das calçadas. Uma zona!
É verdade que nós resolvemos nos hospedar em Kuta, no Tanaya Bed & Breakfast, em uma área que sabíamos ser a mais movimentada, e não tão bonita, mas enquanto esperávamos encontrar Ilhabela no carnaval, encontramos 25 de março na véspera de Natal!

O staff do nosso hotel era uma simpatia só, mas a simpatia e hospitalidade pelas quais os balineses são famosos foi outra decepção. Mas tentemos uma abordagem cronológica.
Chegamos de madrugada e percebemos que estávamos na rua das baladas, com um bar até que bonitinho tocando musica eletrônica na porta do nosso hotel até as duas da manhã. Até aí, tudo bem. Nosso quarto era nos fundos e sem barulho.
Acordamos pela manhã dispostos a ir para as praias numa península ao Sul de Kuta, Bukit. Perguntando para o recepcionista do hotel e descobrimos que havia algumas possibilidades para chegarmos ao nosso destino, (que estava a apenas uns 18km do hotel) dependendo de quanto quiséssemos gastar:
1) contratar um carro com motorista para passar o dia com a gente – 500.000 rúpias (uns 100 reais). Estimativa de chegada em uma hora e meia (!!!!);
2) alugar um carro pelo dia – 300.000 rúpias (uns 60 reais). Chegada em uma hora e meia, se a gente não se perdesse;
3) alugar uma bicicleta pelo dia -ele não sabia quanto sairia, mas teríamos que pedalar em umas subidas não muito amigáveis. Tempo de chegada incerto;
4) alugar uma scooter pelo dia – 50.000 rúpias (uns 10 reais). Estimativa de chegada em meia hora.
Como queríamos ter tempo para relaxar, e ainda visitar um templo, achamos que a última opção era mais lógica, pois gastaríamos menos tempo e dinheiro. Só teríamos que enfrentar o insano trânsito.

Conselho de amigo: se você não se sente confortável em uma moto, nem cogite essa possibilidade. Apesar de a velocidade alcançada nunca ser muito alta e os acidentes serem raros, o medo que se passa até se acostumar a dirigir na mão inglesa com carros e motos que entram na rua sem olhar para ver se alguém está vindo, congestionamento de motos, carros na contramão etc. não é pouco. Carla, no banco de trás, e eu, pilotando, mal conversávamos ou olhávamos para o lado, pelo menos até chegarmos à estrada onde o movimento era menor, ponto em que os nós dos meus dedos já estavam doloridos de tanto agarrar a manopla.
Chegamos por fim, depois de errarmos o caminho algumas vezes, a Dreamland, a praia que queríamos visitar. Teoricamente frequentada pelos teóricos surfistas que teoricamente vêm muito a Bali, a paia era linda, a água uma delícia, as cadeiras que encontramos para alugar relativamente baratas e o sol de rachar, como queríamos!









Enquanto eu cochilava, Carla até comeu um frango delicioso no restaurantezinho à beira da praia, e havia chuveiros para tirar o sal na hora de ir embora. Se tivéssemos nos impressionado com um canal de esgoto a céu aberto com muito, mas muito lixo mesmo, na entrada da praia, talvez tivéssemos perdido essa que ficou sendo a nossa praia favorita (o canal de esgoto e lixo estava represado e não chegava até o mar).
Depois, demos uma passada por Padang Padang, uma outra praia na qual se chega passando por uma mini-caverna, mas a praia era pequena e estava lotada, então ficamos pouco.




Graças ao trânsito bem melhor na península de Bukit, tivemos tempo de chegar ao templo de Uluwatu, onde há um show de dança com fogo ao por do sol. Não se pode entrar no templo e nossa vontade de ver o show era muito menor que nosso receio de voltar na estradinha à noite, mas a diversão foi garantida por algo inusitado: o bando de macacos que moram ali e adoram atacar os turistas.
Há uma placa recomendando cuidado com os primatas, mas nós não demos muita confiança. A Carla nem tirou os brincos de argola prateados, como recomendava o aviso. Na verdade, até compramos um saquinho de manga de uma velhinha para dar para os bichinhos fofinhos.


Logo na entrada, vimos um macaco arrancando um pé das havaianas de uma turista japonesa e subindo com ele para uma árvore. Logo depois, outro, um macho grande, pulou em cima de um homem e arrancou o saco de frutas da mão dele. Mas o melhor estava por vir, e envolvia a gente!
A Carla estava com uma bolsinha que comprou especialmente para a viagem a tiracolo. A bolsinha, como característico das bolsinhas da marca, tem um macaquinho de pelúcia pendurado no zíper. Não é que um danado veio por trás e arrancou o macaquinho da bolsa e subiu para um galho, de onde nos olhava com cara de safado e mordia a sua versão pelúcia?!?


Depois de muito tentar o macaco com pedaços da manga que havíamos comprado, e com a ajuda de um velhinho que estava por ali ajudando a recuperar itens roubados, o macaco de verdade devolveu o macaco da Carla, cicatrizado, sem um pedaço da cabeça, mas com uma bela história para contar! Claro que depois disso os brincos da Carla foram imediatamente guardados na bolsa e nos ficamos muito espertos nos danados, em tempo de ver um pulando na cabeça de uma muçulmana e tentando arrancar a presilha que prendia seu véu na cabeça e arrancando quase todo o lenço. Pelo visto eles não respeitam nem as questões religiosas!






A volta para o hotel foi mais tranquila que a ida, nós mais confiantes e com mais entendimento da dinâmica do trânsito balinês. Depois de um rolezinho pela nossa rua e chegarmos à conclusão que as baladinhas mais agitadas eram agitadas demais para a gente e que as mais calmas eram calmas demais para a gente, decidimos nos contentar com comer no Warung Nina, do lado do hotel e ir para a cama cedo, o que foi uma excelente decisão, pois a comida estava deliciosa e o serviço excelente, tudo com um preço relativamente baixo.


Enquanto relaxávamos um pouco no terraço do hotel, tomando uma cervejinha antes de irmos dormir, conhecemos Meda e os outros funcionários da copa do hotel. Apenas um deles falava inglês, e muito mal por sinal, então eles basicamente só olhavam para nós e riam, aquela risada contagiante que tínhamos conhecido no Camboja. Entre risadas e risadas intercaladas com uso do Google tradutor para tentar entender o porquê todos nós ríamos tanto, eles nos convidaram para tomar um pouco de Arak Bali, uma aguardente de arroz típica de lá, que eles misturam com coca. Era até bom, mas o contexto fez com que adorássemos ainda mais provar a bebida na copa enquanto ríamos sempre que alguém entendia, ou não entendia, algo.
No dia seguinte, de volta à motoca, fomos para as praias ligeiramente ao norte de Kuta. Planejamos ir para Echo Beach e Seminyak, uma praia considerada pelos guias como sofisticada e bem freqüentada.
Depois de abastecer a motoca à moda balinesa (vejam só a foto), chegamos a Echo Beach, que é bonita, mas não é realmente uma praia no sentido que esperávamos, pois o mar era muito mexido, a areia escura e nenhuma cadeira ou guarda-sol. Tivemos que nos satisfazer com uma pizza deliciosa e bons negócios comprando sarongues de uma vendedora fofíssima.




Como queríamos era deitar na areia com uma cerveja na mão, fomos para Seminyak.
O tempo começou a fechar, no entanto, e quando chegamos à praia, cuja areia escura e muito pegajosa nos lembrou aquelas praias de São Paulo para as quais todos torcem o nariz, já não havia sol. Cochilamos um pouco nas cadeiras que alugamos e quando vimos que a chuva era mesmo inevitável, fomos para a avenida com maior concentração de lojinhas em busca de suvenires.




Depois de um tempo, cansados de barganhar muito e comprar pouco (comprar qualquer coisa em Bali demora pelo menos uns 15 minutos, com todo um ritual em que eles dão o preço e você tem que barganhar várias vezes, sair da loja para o vendedor te puxar pelo braço para dentro da loja de novo e aceitar o preço inicial que você queria pagar), encharcados pela chuva e com fome, paramos em um lugar que era obviamente ignorado pelos turistas e decidimos comer ali, para saber o que só os locais comem.
Até agora não temos certeza, porém! Como ninguém no restaurante falava inglês e não havia cardápio, apenas as comidas prontas num sistema bufê, fomos tentando pedir o que parecia apetitoso e não muito apimentado.
Acabamos comendo arroz, algo que parecia carne seca (bem seca mesmo, não como a nossa), galinha com curry e uma coisa que parecia uma barra de cereais, mas que era uma macia torta de soja. Até a única coisa além do arroz que reconhecemos, uma batata cozida em um molho qualquer, nos surpreendeu quando descobrimos que a batata, na verdade, era um ovo!
No dia seguinte, os planos eram de ir para Ubud, o centro cultural de Bali, o lugar para onde a personagem do livro e filme Comer, rezar, amar vai encontrar o amor. Como não tínhamos a intenção ou pretensão de encontrarmos nada do tipo, pelo menos nos demos ao luxo (já que a distância era maior) de alugar um carro ao invés da motoca.

Mal imaginávamos que a viagem de carro seria tão enlouquecedora quanto o rolê de motoca. Quase atropelamos um velhinho, quase caímos em buracos na beira da estrada, quase muita coisa. Mas chegamos sãos e salvos no que, no final das contas, não tem muito de centro cultural não, só mais e mais ruas de lojas e lojas vendendo artesanato (muitos dos quais são produtos industrializados que se encontra em qualquer outro lugar no sudeste da Ásia).
O que valeu a pena, entretanto, foi a Monkey Forest, um parque com alguns templos e muitos macacos que vêm brincar com você. Desta vez, porém, eles foram menos agressivos.










Voltamos para o nosso hotel, onde ganhamos de presente do staff uma garrafa de Arak Bali acompanhada de muitas outras risadas (nos pesa o coração admitir que na pressa do check-out esquecemos a garrafa no quarto).
Na manhã seguinte, partimos cedinho rumo a Gili Trawagan, uma outra ilha da Indonésia com uma atmosfera mais relaxada e melhores chances de paz e tranquilidade. Mais informações no próximo post!
Você Sabia?
Bali é muito diferente do resto da Indonésia. Além de outra religião (a maioria dos balineses é hindu, enquanto a Indonésia é um país muçulmano) e outra língua, quase todos os balineses têm o mesmo nome. Na verdade, existem apenas quatro nomes em Bali, Wayan, Made, Nyoman e Ketut, que querem dizer, respectivamente, primeiro, segundo, terceiro e quarto, dados de acordo com a ordem de nascimento. Os nomes são os mesmos para homens e mulheres. Assim, as pessoas acabam tendo que ser conhecidas pelo nome e sobrenome, ou um apelido. No nosso caso (Carla e eu, que somos a filha mais velha e o segundo filho), nossos nomes seriam Wayan Carlini e Made Moraes. E o que acontece quando o casal tem mais de cinco filhos? O quinto passa a se chamar o que só pode ser traduzido como “Wayan de novo”. Agora imagina só a confusão que foi quando um Ketut ligou para o nosso hotel para conversar com a Carla sobre o nosso agendamento. Ela já foi dizendo que não, que já tinha comprado o bilhete de barco que ele estava querendo vender de outro vendedor, que fez um preço mais barato. Confusão no ar. Ele não falava muito bem inglês e a conversa demorou um bom tempo até que descobríssemos que o Ketut que estava ligando não era o Ketut do barco, mas o Ketut do carro que iríamos alugar no dia seguinte (Nunca mais reclame que seu nome é comum!).
Teste seu conhecimento:
Qual a pergunta super comum que os balineses, mesmo aqueles que não te conhecem, fazem, às vezes antes mesmo de dizer oi?
a) Tudo bem?
b) Tá gostando de Bali?
c) Para onde você está indo?
d) Que horas são?
Resposta do Post Anterior:
A maior multa para as infrações listadas é a de jogar lixo no chão, que é de módicos 1000 dólares cingapurianos (o equivalente a 1.400 reais). Atravessar fora da faixa vai te custar 50 dólares cingapurianos, enquanto comer no metrô e fumar em lugares proibidos separarão 500 dólares cingapurianos da sua carteira. Melhor andar na linha, né?